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Publicaremos matérias e artigos relacionadas a movimentação de cargas.

domingo, 17 de março de 2013

Raio X do transporte aquaviário



Confira os principais destaques do transporte de cargas por via marítima, cabotagem e por vias interiores

 A via marítima é o principal meio utilizado para o transporte de mercadorias de comércio exterior brasileiro. a revista IntraLOGÍSTICA  apresenta a seguir um  panorama do segmento em 2011. De acordo com a Antaq – agência Nacional  de Transportes aquaviários, em 2011 a tonelagem exportada por via marítima representou 96% do total, enquanto que a importada alcançou 89%, maior índice em cinco anos. ao se analisar o fluxo comercial por valor (uS$ FoB),  percebe-se que essa participação vem  se ampliando nos últimos anos, atingindo 84% do montante exportado e 76% do importado, ou seja, melhor patamar desde 2007.
Em 2011 foram embarcadas no Brasil 514.740 mil toneladas de mercadorias com destino ao exterior, 5,1% a mais que no ano anterior. Já o desembarque de mercadorias de longo curso foi de 143.347 mil toneladas, o que representou um crescimento de 13% em relação a 2010.
Em relação à natureza da carga, verifica-se que na exportação houve crescimento na carga geral solta (17,7%), na carga geral conteinerizada (9,4%) e no granel sólido (4,7%). Este último representa aproximadamente 83% da tonelagem embarcada no longo curso, sendo o seu desempenho impactado pelo aumento da exportação de minério de ferro em 2011. Por outro lado, houve um decréscimo na tonelagem embarca-da de granéis líquidos (-2,7%), ocasionada principalmente pela redução dos combustíveis e óleos minerais, produtos químicos orgânicos e preparados alimentícios exportados no último ano.
Já a análise das importações indica uma distribuição mais uniforme entre os tipos de cargas desembarcadas no Brasil. No comparativo 2010 vs. 2011, ocorreu um crescimento da tonelagem de granéis sólidos (21,7%), de carga geral conteinerizada (16,7%) e de granéis líquidos (7,6%) provenientes de outros países. Houve decréscimo no desembarque de carga geral solta (-32%).
Origens e destinos
Nas análises da antaq sobre as origens e destinos do comércio exterior por via marítima, foi realizado o agrupamento dos portos mundiais em rotas oceânicas. o critério de agrupamento tem como base o padrão das linhas de comunicação marítimas realizadas pela Marinha do Brasil no Sistram – Sistema de acompanhamento do Tráfego Marítimo.
O principal destino das exportações brasileiras em 2011 foram os países do Índico e do Extremo oriente, totalizando 292,7 milhões de toneladas, que representa 56, 9% do peso das exportações brasileiras por via marítima. a maior parte dessa carga foi granel sólido (91%), principalmente minério de ferro embarcado para a China. Entretanto, a rota do Índico e Extremo oriente também foi o principal destino das cargas de outras naturezas: 39,9% do granel líquido, 27,3% da carga geral solta e 21,7% da carga geral conteinerizada.
O segundo principal destino das cargas embarcadas no Brasil foi a Europa ocidental e Setentrional, com peso de 86,3 milhões de toneladas (16,8% do total exportado); seguido pelo Mediterrâneo/ Mar Negro, com 39,5 milhões de toneladas (7,7% do total) e oriente Médio, com 26,2 milhões de toneladas (5,1% do total). Para a Costa Leste dos Estados unidos e Canadá foram transportadas 24,3 milhões de toneladas (4,7% do total).
Já as cargas desembarcadas no Brasil têm origem mais dispersa e distribuídas de maneira mais uniforme entre as rotas oceânicas. apesar disso, a rota Índico/ Extremo oriente também é a de maior relevância, sendo a origem de 29,2 milhões de toneladas de cargas desembarcadas no Brasil, o que representa 20,3% das importações por via marítima. Da Costa Leste dos Eua e do Canadá foram originadas 25,3 milhões de toneladas (17,7% do total). a terceira rota oceânica com maior tonelagem de carga desembarcada no Brasil foi a Europa Setentrional e ocidental, com 19,6 milhões de toneladas (13,7% do total), seguida pelo Mediterrâneo/Mar Negro com 12,3 milhões de toneladas (8,6% do total); atlântico Sul/rio da Prata com 11,1 milhões de toneladas (7,7% do total); áfrica ocidental/Golfo da Guiné com 10,8 milhões de toneladas (7,5% do total); e Caribe/Golfo do México com 10 milhões de toneladas (7%). as demais rotas somadas totalizam 25 milhões de toneladas, o que representa 17,5% do peso total das cargas desembarcadas no Brasil.
Cabotagem

A renovação da frota de cabotagem foi, segundo a antaq, um dos principais destaques do setor no ano de 2011. a expansão e modernização da marinha mercante e da indústria naval foram impulsionadas por incentivos do governo federal, a partir de programa de financiamento do Fundo da Marinha Mercante – FMM, parte do Prgrama de aceleração do Crescimento, sob a gestão do Ministério dos Transportes. o ano foi marcado pela entrega e entrada em operação comercial dos primeiros dois navios porta-contêineres de 2.800 TEuS, de um total de cinco navios encomendados em 2007 pela empresa Log-in. Também merece destaque a entrega dos primeiros navios pertencentes ao lote inicial de 23 navios inscritos no Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef).
Outro fato que merece destaque é a entrada de novos players no mercado e a saída de outras empresas já tradicionais. a empresa estreante de maior destaque é o grupo Triunfo, que controla duas empresas brasileiras de navegação autorizadas pela antaq em 2011: a NTL Navegação e Logística e a vessel-Log. o grupo possui quatro embarcações de grande porte em operação, duas próprias e duas afretadas, e com planos de expansão poderá disputar fatias significativas de participação no mercado de cabotagem. Por outro lado, o ano marcou a saída de empresas muito tradicionais do mercado, como a Frota oceânica e amozônica, que renunciou à sua ortoga por já não operar comercialmente nenhuma embarcação. ainda em 2011, a Norsulmax (Grupo Norsul) importou o graneleiro Juriti de 75.000 TPB.
Em 2011, a navegação de cabotagem transportou 133 milhões de toneladas de mercadorias. o número de 1,96% superior à quantidade transportada no ano anterior. Essa expansão foi sustentada pelo crescimento da tonelagem transportada de granéis líquidos e da carga geral conteneirizada.
Embora com um volume menos representativo, merece destaque a expansão de 9,61% no transporte de contêineres, que passou de 5,2 milhões de toneladas em 2010 para 5,7 milhões de toneladas em 2011. observa-se, neste caso, que fabricantes de bens de consumo como eletroeletrônicos, alimentos e bebidas, higiene e transporte vêm ampliando o uso da cabotagem como alternativa ao caminhão, para a movimentação de produtos entre diferentes regiões do país, principalmente entre as empresas que trabalham com vendas no atacado ou que possuem grandes centros de distribuição. Esse fato ocorre principalmente por causa da ampliação da oferta de rotas regulares e da facilidade de contratar o serviço porta-a-porta. É importante frisar que o granel líquido continua sendo a tonelagem majoritária da carga transportada (78,5%), seguido do granel sólido (13,7%), da carga geral conteinerizada (4,3%) e da carga geral solta (3,4%).

Vias interiores

Já no transporte de cargas por vias interiores, o destaque continua sendo a região hidrográfica amazônica. vale comentar que o minério de ferro foi a mercadoria mais transportada por vias interiores, 5.322.721 toneladas, ante as 3.836.22 toneladas transportadas desta maneira em 2010. Já a soja, que em 2010 foi o principal produto transportado por vias interiores caiu de 4.349.143 para 4.237.660 e sua participação no total de cargas transportadas pelo modal caiu de 18,25% em 2010 para 16,85% em 2011, ocupando o segundo lugar. o grupo compreendido por enxofre, terras e pedras, gesso e cal ficou em terceiro lugar na lista das mercadorias mais transportadas por navegação interior.

TRANSPORTE DE CARGAS EM VIAS INTERIORES POR TIPO DE NAVEGAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DA CARGA
Ano
Tipo de Navegação
Classificação
Carga Geral Solta (t)
Carga Geral Conteinerizada (t)
Granel Líquido
Granel Sólido
Total
2011
Interior

3.387.372
10.810
4.455.584
17.289.738
25.143.503
Estadual
401.801
4
3.430.943
5.073.891
8.906.639
interestadual
2.956.153
10.795
820.382
6.519.743
10.307.074
internacional
3.186
...
...
5.696.087
5.699.273
Percurso Não identificado
26.232
11
204.258
17
230.517
Cabotagem

14.560
2.296.733
5.447.976
14.566.489
22.325.757
Longo curso

1.116.384
4.257.050
2.510.010
24.461.377
32.344.822
2010
Interior

3.966.457
211.109
4.497.806
15.156.529
23.831.900
Estadual
463.443
...
3.442.467
4.876.723
8.782.633
interestadual
2.906.135
210.413
682.513
6.143.667
9.942.728
internacional
6.432
...
...
4.136.139
4.142.571
Percurso Não identificado
590.447
696
372.826
...
963.968
Cabotagem

287
1.943.786
5.210.615
14.074.274
21.228.963
Longo curso

1.399.899
3.423.175
2.385.565
22.150.428
29.359.067
Fonte: ANTAQ, DH/SP e AHRANA. 
Sinais convencionais utilizados
… Dado numérico não disponível.
– Dado não existente ou não se aplica.

Acordos Internacionais

O Brasil tem firmados 13 acordos bilaterais de cooperação com os seguintes países: Alemanha, Argélia, Argentina, Bulgária, Chile, China, Estados unidos, França, Polônia, Portugal, Romênia, Rússia e Uruguai.
Os acordos são baseados nos princípios da reciprocidade de interesses e na liberdade do comércio exterior.
Atualmente, o Brasil tem poucas embarcações de bandeira nacional operando no longo curso.
No âmbito dos 13 acordos bilaterais de transporte marítimo, apenas 4% da tonelagem é transportada em bandeira brasileira.
Em 2011, o tráfego entre o Brasil e os países signatários dos acordos bilaterais respondeu por 49% da tonelagem transportada no longo curso. Destaca-se a corrente de comércio com a China, que totalizou 205 milhões de toneladas, ou seja, 64% de todo transporte no âmbito dos acordos bilaterais.
Na tentativa de ampliar o tráfego de mercadorias entre os países do Mercosul, está sendo negociado um acordo Multilateral sobre o Transporte Marítimo entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. a Antaq, como representante do governo brasileiro para assuntos relacionados à navegação marítima, participou, no último ano, de duas reuniões do Subgrupo de Transportes do Mercosul (SGT5). Nesta rodada, os debates giraram em torno da inclusão dos serviços feeder no texto do acordo.
A agência participou ainda das negociações para o estabelecimento do acordo de transporte marítimo entre os países do Mercosul e o bloco da união Europeia. Além disso, assessorou o Ministério das relações Exteriores e o Ministério dos Transportes na análise da emenda do acordo bilateral Brasil-China.

TRANSPORTE DE NAVEGAÇÃO DE LONGO CURSO
Total embarcado, por natureza da carga
Natureza da Carga
Quantidade (t)
%
Granel Sólido
425.151.909
82,60
Granel Líquido
28.719.576
5,58
Carga Geral Solta
24.102.571
4,68
Carga Geral Conteinerizada
36.765.912
7,14
T o T a L
514.739.968
100,00



segunda-feira, 11 de março de 2013

Empilhadeira... para empilhar


Empilhadeira... para empilhar

Muitas empresas empregam este
equipamento de maneira errada.


Empilhadeira eleva carga até as mais altas posições paletes


O nome já diz tudo: empilhadeira.
Ela desenvolve a arte de empilhar e não de “transportar”, pois para vencer distâncias na horizontal existem dezenas de outras opções (veja na edição de abril de 2010 da Intralogística). É fundamental identificar a causa de um  determinado movimento para que se possa avaliar o melhor método para movimentação. O planejamento do layout e do pé-direito a ser utilizados nas instalações definirá a posição de origem e destino dos movimentos.
Se os recursos da origem ao destino estivessem próximos, muitos deslocamentos seriam desnecessários e, consequentemente, os equipamentos também. A manufatura enxuta, por exemplo, modelo de gestão que ganhou o mundo a partir de seu sucesso em relação à produtividade, visa à eliminação de tudo o que
não agrega valor e assim define a movimentação como uma perda que deve ser continuamente questionada. E foi através desse modelo que o layout passou a ser encarado de maneira mais exigente e abriu espaço para um fluxo mais inteligente baseado em células de manufatura, onde a organização do layout é por produto e não mais por processo.
AGV é alternativa para transporte horizontal

Foi nesse cenário de otimização que ganhou a atenção de muitas empresas, nos últimos anos, o conceito “Forklift
Free”, ou seja, o fluxo livre de empilhadeiras, que ficam agora dedicadas às atividades de empilhar e não mais de vencer distâncias na horizontal.
Além disso, as empilhadeiras que trafegam em áreas externas e internas simultaneamente levam detritos e sujeira
para dentro da instalação. É por isso que em muitas fábricas e armazéns existem empilhadeiras que circulam só em áreas externas e outras só em áreas internas, o que também não é adequado pois essa divisão acaba gerando ociosidade.
Mas para carga e descarga a empilhadeira é necessária! Esse era um dos principais argumentos que inviabilizavam no passado o conceito “Forklift Free”, pois já que teríamos que manter empilhadeiras para carga e descarga de veículos de movimentação e transporte, aproveitava-se o tempo ocioso delas para movimentar. Mas foi a partir de pesquisas e desenvolvimentos de novas soluções de movimentação que o desafio de manter uma área livre de empilhadeiras foi vencido. Por exemplo, se no piso de um carrinho – meio mais comum de movimentação horizontal – fossem instalados rolos ou roletes, a carga poderia deslocar-se, manual ou automaticamente, para uma linha de transportadores contínuos. O inverso dessa situação pode ocorrer na expedição ou no momento do carregamento.
Para ilustrar, na expedição de cargas fracionadas (caixas), estas podem chegar em um carrinho, movimentado
por um transportador de piso (“towline”), como acontece no centro de distribuição das Casas Bahia em Jundiaí, SP,
e ser daí transferidas para um transportador contínuo extensível, que conectará o interior do veículo à plataforma de
carga ou descarga. Já na descarga a granel, o caminhão pode ter uma carroceria graneleira que proporcione a descarga por gravidade através de uma plataforma pneumática.
Para movimentação de cargas pesadas, também passou a ser mais comum o uso de ponte rolante ou guindaste fixo ou até mesmo veicular. Essas e outras soluções começaram a se tornar uma realidade, dedicando assim as empilhadeiras às atividades de empilhar.


Empilhadeira dá flexibilidade, mas não é única solução