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Publicaremos matérias e artigos relacionadas a movimentação de cargas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Utilize corretamente o transporte rodoviário de cargas

(*) Antonio Carlos da Silva Rezende                                                                                                                               
Já que este é e será ainda por muito tempo o modal mais utilizado, que o façamos da maneira mais adequada possível
Sabemos de longa data que o TRC (transporte rodoviário de cargas) é o modal mais utilizado no País, principalmente devido a boa disponibilidade (apesar de parte da frota estar obsoleta) e mobilidade (porta-a-porta), embora tenha o custo elevado se comparado a outros modais e as más condições de parte das estradas.
Bem, já que temos que aceitar por muito tempo a liderança deste modal, pelo menos que o façamos da maneira mais correta possível.
Neste contexto relacionamos os principais tópicos que devem ser avaliados:
1  Composição de custos - É importante que o embarcador tenha uma boa noção da formação dos preços e se prepare para discutir tecnicamente com o transportador:
- É solicitada ao transportador ou pesquisada alguma outra fonte para se ter idéia do percentual que representa cada item da composição de custos de transportes?
- Ao contratar é definido o valor mínimo e máximo que deveria ser pago?
- É avaliado o impacto da idade e condições do veículo no custo total?
2  Qualidade dos serviços - no ímpeto de reduzir custos podemos estar deixando de lado a qualidade ou segurança:
- Os indicadores de qualidade de serviços e reclamações dos clientes quanto a entrega são avaliados periodicamente?
- Desde o início das negociações está caracterizada a meta para a relação entre custo e benefícios (nível de serviço) desejada?
3  Produtividade - alguns fatores geram impacto nos custos e devem ser avaliados:
- A ocupação do veículo (peso, volume, e valor do material transportado), pois gera economia para o embarcador;
- O aproveitamento do veículo (relação entre o tempo em trânsito e o disponível), pois o tempo de espera (filas) impacta diretamente sobre o custo fixo e o transportador “considera” no preço.
4  Gerenciamento de riscos - entenda bem este item, pois normalmente não é destacado na planilha de custos:
- Escolta, consulta a cadastro de motoristas e ajudantes estão considerados?
- O rastreamento está incluso e qual a periodicidade do envio das informações?
- O seguro da carga tem limites razoáveis e em que condições é necessária a escolta ou o rastreamento?
5  Tecnologia da informação - existem  softwares para apoiar a gestão de transportes, conhecidos no mercado como TMS (“transportation management system”, sistema de gerenciamento de transportes), composto pelos seguintes módulos:
- Rastreador: é normalmente usado para segurança, porém também serve para o controle logístico;
- Roteirizador: otimiza as distâncias a percorrer e a ocupação dos veículos (peso, volume e valor);
- Controle que para o embarcador serve para verificar  as cobranças emitidas pelo transportador.
6  Infra-estrutura - o estado de conservação das estradas é um fator que gera impacto nos custos e na  qualidade de serviços nos transportes:
- É considerado quando avaliamos  custos de manutenção, consumo de combustível e de pneus?
- É considerado quando avaliamos a qualidade de serviço (avarias e prazo de entrega)?
7  Seleção da transportadora - se você não quer simplesmente fazer um leilão (só preços) considere:
-  Compartilhar com a transportadora os seus planos (volumes, origens, destinos, etc) e principalmente o que se espera dela;
- Na proposta técnica solicitar a capacitação (instalações, equipamentos, TI, RH, etc), principais clientes e situação financeira;
- Para a proposta comercial definir o modelo (carga fracionada ou fechada, paletizada ou estivada, etc), a forma de pagamento (peso, volume, distância por faixas ou estados, percentual sobre o valor, etc) e os componentes do frete (tabela, ad-valorem, escolta, CTRC, etc);
- Sumarizar e classificar.
8  Contratação - após a fase de seleção defina três finalistas :
- Equalize cada proposta técnica e comercial e solicite uma revisão final;
- Contate os clientes indicados e as demais referências;
- Defina os indicadores que irão servir como base para a avaliação;
- Apenas nesta fase inicie as negociações;
- Ao assinar o contrato não se iluda, os problemas apenas começaram.
9  Indicadores de desempenho - é através deles que iremos avaliar o desempenho, corrigir desvios e melhorar continuamente:
- Cada um dos indicadores é claramente definido (fontes, fórmulas, periodicidade, responsável, circulação, etc)?
- O transportador sabe como e quando será avaliado e o que se espera dele?
10  Redução de custos - bem, vamos tentar evitar cometer grandes equívocos. Como?
- Entenda a planilha de custos e nunca se esqueça da qualidade dos serviços;
- A conclusão da negociação deve ficar para a última fase.

Conclusão:

Caros leitores, eu ficaria muito feliz se lembrassem de avaliar, mesmo que superficialmente, estas dicas, pois seria muito bom para o embarcador e certamente o transportador iria agradecer.
(*) é gerente da IMAM Consultoria. É autor de diversos livros e instrutor de cursos relacionados à área de logística.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desafios do crescimento -ferrovia


Artigo escrito por RODRIGO VILAÇA
O balanço do transporte ferroviário de carga nos últimos anos, divulgado recentemente, trouxe um índice que merece especial atenção: a produção das ferrovias aumentou 111,7% de 1997 a 2011, mais do que o dobro do crescimento do PIB brasileiro no mesmo período (54%).
Nossa primeira constatação ao ver esses números é de que os trens de carga estão ajudando a puxar o PIB para cima. Nos seus devidos termos, ou trilhos, isso está ligado a uma série de fatores. A começar pelo investimento de R$ 30 bilhões que as concessionárias fizeram desde a desestatização das ferrovias de carga. Até então, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) acumulava um prejuízo de R$ 2,2 bilhões. Ao longo de décadas, o Brasil vinha perdendo R$ 1 milhão por dia com o modelo estatal de transporte ferroviário, sem contar os prejuízos ainda maiores decorrentes da obsolescência do serviço e do sucateamento das linhas férreas, vagões, locomotivas e todo o sistema.
O forte investimento privado na revitalização do setor transformou aquele prejuízo em lucro e as concessionárias já recolheram aos cofres públicos mais de R$ 15 bilhões – valor que inclui as parcelas de concessão e arrendamento da malha, pagamento de impostos e CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre as operações ferroviárias.
Ao melhorar sua logística de transportes, o Brasil consegue exportar mais e o consumo interno também aumenta, pois o escoamento dos bens entre produtor e consumidor fica mais eficiente. Esses fatores também fazem crescer o PIB. E há outros: a oferta de empregos, por exemplo. A quantidade de empregos diretos e indiretos nas ferrovias de carga praticamente triplicou desde 1997, sem contar a geração de empregos na indústria ferroviária nacional e na expansão da malha. Obras como a construção da Nova Transnordestina pela empresa TLSA, e do trecho de Alto Araguaia a Rondonópolis (MT), pela ALL – além das que estão sendo tocadas pelo Governo Federal – empregam milhares de trabalhadores.
Para dar suporte ao crescimento do País, a demanda dos próximos anos será bem maior. Precisaremos investir fortemente na infraestrutura de transporte de cargas, com uma visão integrada, voltada para o cenário futuro. Hoje, os trilhos conduzem cerca de 25% de todas as cargas no território nacional. Essa participação deve aumentar para 35% na próxima década, em função das vantagens do trem para transportar grandes volumes de cargas em longas distâncias. Isso requer uma malha ferroviária mais extensa e uma frota mais numerosa de vagões e locomotivas, com tecnologia de ponta.
Segundo recente pesquisa da CNT (Confederação Nacional de Transportes) sobre o transporte ferroviário no Brasil, serão necessários investimentos adicionais de cerca de R$ 77 bilhões para eliminar gargalos e construir novas ferrovias de carga. Como são muitas as frentes que dependem de recursos públicos, o governo não tem condições de destinar esse volume de recursos para o setor no devido tempo. Portanto, os investimentos privados são imprescindíveis.
A malha ferroviária é propriedade da União, concedida às empresas privadas durante um determinado período. O modelo de concessões é vitorioso: revitalizou o sistema ferroviário e salvou o País da total dependência das rodovias, que de outra forma estariam hoje intransitáveis. A população brasileira, que antes via o trem como coisa do passado, já está ciente do grande papel integrador das nossas ferrovias no presente.
As concessionárias apostam no futuro do transporte sobre trilhos e querem continuar investindo. Os recursos aplicados até hoje deverão ter retorno ao longo dos próximos quinze anos, quando terminam as atuais concessões, mas esse prazo não é suficiente para o retorno dos vultosos investimentos adicionais que hoje se impõem, para promover um crescimento ainda maior.
A ampliação do prazo das concessões pode ser uma forma de viabilizar mais recursos privados para a infraestrutura ferroviária. Outras medidas oportunas seriam a implementação de formas diferenciadas de financiamento para a construção de novas malhas e a definição de uma política industrial para o setor ferroviário brasileiro, com revisão da carga fiscal para a produção de insumos como trilhos e locomotivas pela indústria nacional.
É hora de colocar em prática uma visão de longo prazo, para que o Brasil possa consolidar sua posição entre as maiores potências mundiais.

Rodrigo Otaviano Vilaça
Presidente-Executivo da ANTF – Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários.
rodrigo.vilaca@antf.org.br
(61) 3226-5434