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Publicaremos matérias e artigos relacionadas a movimentação de cargas.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Empilhadeira... para empilhar


Empilhadeira... para empilhar

Muitas empresas empregam este
equipamento de maneira errada.


Empilhadeira eleva carga até as mais altas posições paletes


O nome já diz tudo: empilhadeira.
Ela desenvolve a arte de empilhar e não de “transportar”, pois para vencer distâncias na horizontal existem dezenas de outras opções (veja na edição de abril de 2010 da Intralogística). É fundamental identificar a causa de um  determinado movimento para que se possa avaliar o melhor método para movimentação. O planejamento do layout e do pé-direito a ser utilizados nas instalações definirá a posição de origem e destino dos movimentos.
Se os recursos da origem ao destino estivessem próximos, muitos deslocamentos seriam desnecessários e, consequentemente, os equipamentos também. A manufatura enxuta, por exemplo, modelo de gestão que ganhou o mundo a partir de seu sucesso em relação à produtividade, visa à eliminação de tudo o que
não agrega valor e assim define a movimentação como uma perda que deve ser continuamente questionada. E foi através desse modelo que o layout passou a ser encarado de maneira mais exigente e abriu espaço para um fluxo mais inteligente baseado em células de manufatura, onde a organização do layout é por produto e não mais por processo.
AGV é alternativa para transporte horizontal

Foi nesse cenário de otimização que ganhou a atenção de muitas empresas, nos últimos anos, o conceito “Forklift
Free”, ou seja, o fluxo livre de empilhadeiras, que ficam agora dedicadas às atividades de empilhar e não mais de vencer distâncias na horizontal.
Além disso, as empilhadeiras que trafegam em áreas externas e internas simultaneamente levam detritos e sujeira
para dentro da instalação. É por isso que em muitas fábricas e armazéns existem empilhadeiras que circulam só em áreas externas e outras só em áreas internas, o que também não é adequado pois essa divisão acaba gerando ociosidade.
Mas para carga e descarga a empilhadeira é necessária! Esse era um dos principais argumentos que inviabilizavam no passado o conceito “Forklift Free”, pois já que teríamos que manter empilhadeiras para carga e descarga de veículos de movimentação e transporte, aproveitava-se o tempo ocioso delas para movimentar. Mas foi a partir de pesquisas e desenvolvimentos de novas soluções de movimentação que o desafio de manter uma área livre de empilhadeiras foi vencido. Por exemplo, se no piso de um carrinho – meio mais comum de movimentação horizontal – fossem instalados rolos ou roletes, a carga poderia deslocar-se, manual ou automaticamente, para uma linha de transportadores contínuos. O inverso dessa situação pode ocorrer na expedição ou no momento do carregamento.
Para ilustrar, na expedição de cargas fracionadas (caixas), estas podem chegar em um carrinho, movimentado
por um transportador de piso (“towline”), como acontece no centro de distribuição das Casas Bahia em Jundiaí, SP,
e ser daí transferidas para um transportador contínuo extensível, que conectará o interior do veículo à plataforma de
carga ou descarga. Já na descarga a granel, o caminhão pode ter uma carroceria graneleira que proporcione a descarga por gravidade através de uma plataforma pneumática.
Para movimentação de cargas pesadas, também passou a ser mais comum o uso de ponte rolante ou guindaste fixo ou até mesmo veicular. Essas e outras soluções começaram a se tornar uma realidade, dedicando assim as empilhadeiras às atividades de empilhar.


Empilhadeira dá flexibilidade, mas não é única solução








segunda-feira, 4 de março de 2013

Escolha criteriosa do modal de transporte


Antonio Carlos da Silva Rezende,
gerente de projetos da IMAM Consultoria Ltda.

Seja criterioso na escolha e na utilização do modal de transporte


Mesmo respeitando a posição de liderança do transporte rodoviário de cargas (TRC), devemos acompanhar a evolução e os aspectos positivos e negativos dos demais modais, avaliar periodicamente a viabilidade  técnica e econômica de utilizar outros modais, além do que, devemos nos aprofundar no conhecimento do modal utilizado.Vamos indicar alguns questionamentos que devem ser feitos para melhor avaliação:

1 Matriz de transportes. Devemos entender os motivos que levam ao desbalanceamento da utilização dos
modais: Foram avaliadas as vantagens e desvantagens de cada modal? Estamos atualizados quanto à evolução (disponibilidade, freqüência, custos, etc.) dos modais?

2 Infra-estrutura. Ao avaliar a possibilidade de utilizar um determinado modo de transporte devemos saber como anda sua infra-estrutura: Como estão as vias (projeto, conservação, sinalização, segurança)? Quais utilizar? Qual a localização dos terminais e dos desvios?

3 Legislação. Devemos avaliar alguns aspectos que interferem nas operações (lembrar que para os transportes existem organismos reguladores: ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), ANTAQ (Agência Nacional de Transporte Aquaviário) e DAC (Departamento de Aviação Civil), subordinado ao comando da Aeronáutica, Ministério da Defesa. As rodovias estatais ou privadas têm poucas interferências,
salvo na fiscalização nas fronteiras interestaduais; verificar se o trecho ferroviário que será utilizado
pertence a mais de uma concessionária e se existe acordo de direito de passagem; verificar se nos portos que serão utilizados existem boas relações entre a autoridade portuária, o operador portuário e o órgão gestor de mão-de-obra.

4 Empresa gestora. É importante entender a origem do capital e sua finalidade: é estatal? É privada? Tem
foco no transporte ou em investimento? Mantém boa conservação e tem planos para investimentos em ampliações? Foi avaliada a condição financeira da empresa gestora?

5 Instalações e equipamentos. No caso do TRC, os usuários têm menos dependências, o que não acontece
para demais modais: os portos e aeroportos têm boas instalações para armazenagem e transbordo? A  ferrovia tem bons terminais, instalações para estocagem e material rodante?

6 Disponibilidade. Além da infraestrutura, deve ser avaliada a disponibilidade de equipamentos e/ou linhas para o transporte. No caso do TRC, deve ser avaliada a disponibilidade da transportadora. No caso da ferrovia, existem equipamentos (material rodante) que garantam disponibilidade e a freqüência de embarques? No caso de portos, existem linhas com diversos destinos que garantam boa freqüência de
embarques?

7 Material a ser transportado. Quais são as características específicas a serem avaliadas para a escolha correta do modal: Qual o custo unitário do material? Qual é a proporção do custo do material em relação ao custo do transporte? O material depende da velocidade do modal (se é perecível ou está atrasado)? São grandes os volumes
(grãos, minério, cimento, produtos petroquímicos, etc.)? O material é classificado (inflamável, explosivo, etc.)? A distância e o tempo total foram avaliados?

8 Forma como o material será transportado. Este é um fator decisivo na escolha do modal: O transporte será a granel ou unitizado? Depende de caminhões, vagões ou navios especiais? Depende da disponibilidade do contentor (contêiner por exemplo)? O contentor é retornável?

9 Outros fatores a considerar.
Não podemos deixar de considerar que a concorrência entre os modais faz por aviltar (“achatar”) o preço do transporte com reflexo no custo, porém, também na qualidade. Cuidado!

10 Decisão para a escolha do modal. O processo depende da análise sistêmica e conjunta de todos os itens relacionados acima. Muitas vezes, as empresas utilizam apenas o TRC e ficam reclamando de custos
e qualidade de serviços.

Conclusão
Como já afirmamos em artigos anteriores, nunca despreze um modal, acompanhe a evolução de cada um e reavalie sistematicamente a análise da viabilidade, sob pena de perder oportunidades e, lembre-se: seu
concorrente pode estar se preparando!


MODAL
% de utilização
do modal
no Brasil*
VANTAGENS
DESVANTAGENS
Dutoviário
< 1%
• Para líquidos ou gases em
grandes volumes
• Custo
• Mais lento;
• Grandes investimentos;
• Aplicação limitada
• Depende de transbordo;
Aéreo
~ 1%
• Rapidez (perecíveis, em atraso)
• Bom para produtos de alto valor
e pequenos volumes
• Depende de transbordo;
• Limite de volume e classificação
• Custo elevado em relação
a outros modos
Aquaviário
~ 12%
• Mínimos limites de peso e volume
• Custo competitivo > 1000 km
• Mais lento;
• Mobilidade limitada – normalmente
depende de transbordo
Ferrovário
~ 23%
• Bom para produtos de baixo valor
e grandes volumes;
• Competitivo para distâncias
maiores que 700 km
• Mais lento em relação ao TRC;
• Grandes investimentos;
• Mobilidade limitada – normalmente
Rodoviário
~ 63%
• Disponibilidade
• Boa mobilidade (porta-a-porta)
• Bom para curta/média distância
• Alta incidência de furtos;
• Péssimas condições das estradas
ou alto custo de pedágio
• Custo elevado em relação
a outros modais
*Fonte: ANTT, ano base 2004

Fonte: IMAM Consultoria - www.imam.com.br